quinta-feira, 9 de junho de 2011

VELHO ROCK

Por Diego Santiago e Manuela Marques




Cinquentões provam que não existe idade para curtir boas músicas. O velho rock and roll é duradouro porque além de se desenvolver ao longo dos anos ainda se espalhou por outras gerações...

"I Can't Get No Satisfaction…". Quando escutamos o trecho dessa música dos Rolling Stones nos lembramos dos áureos anos 70. Afinal, esse período marcou o rock como um dos estilos musicais mais conhecidos no Brasil e no mundo, além de influenciar a vida, a moda, as atitudes e a linguagem da época. Mas se enganam as pessoas que acreditam que esse tempo ficou para trás. Aqueles que já estão na casa dos enta (40, 50, 60, 70, 80...) ainda curtem a adrenalina causada pelo som potente das bandas, dos solos de guitarra e é claro, a uma boa pitada de atitude.

Prova disso, é o Rock in Rio 2011, um dos maiores eventos de música e entretenimento do mundo que esse ano traz grandes astros maduros como os Guns n’ Roses, Mutantes e Erasmo Carlos. E essa lista não é encabeçada apenas por nomes famosos. Tio Plinio, 52, Thibau, 48, e Ruy, 52, (o último é constantemente confundido com o também roqueiro Lobão), são nomes conhecidos pela galera mineira que gosta de rock.
Eles curtem um som "feroz" e não se intimidam em carregar meio século de paixão pela música e nem têm medo de mostrar a cara e o estilo. Quando questionados sobre os ídolos do rock, os três respondem com nomes consagrados que fizeram sucesso nos anos 70 e 80: Bill Haley, Chuck Berry, Jerry Lee Lewis, Kiss, Motorhead, Deep Purple, Creedence, Rolling Stones, ufaaaaa! A lista é infinita.



Plínio Ribeiro Campos, mais conhecido como Tio Plínio no mundo musical, tem duas profissões: trabalha em uma empresa de cobrança e há duas décadas lidera a banda de rock Shadow of the Mountains (A Sombra das Montanhas). Ele é guitarrista e compositor, se apresenta duas vezes no mês, já tem cinco CDs gravados e mais de 500 músicas compostas.

O amor pelo rock vem de longa data. Tio Plínio tinha apenas oito anos quando começou a ouvir o som eletrizante. De lá para cá o ritmo passou a fazer parte da sua vida intensamente. “O rock faz uma higiene mental, sem contar que é uma deliciosa desculpa para encontrar os amigos e expor idéias. Quem sabe daqui a 1000 anos as pessoas entendam minhas letras”, disse Plínio de maneira descontraída.

OUTRO TEMPO



Cabelão? Rebeldia e roupas pretas? Esqueça esse estereótipo. Isso já fez parte da vida de Ricardo Munayer David (verdadeiro nome de Thibau), mas hoje as coisas são um pouco diferentes... Roqueiros costumam ouvir um tipo de música agitada e com o volume alto, mas ele escutava Pavarotti no dia da entrevista (ok, na verdade era o pai que ouvia, mas Thibau se diz eclético). Produtor musical e empresário nos anos 80, fundou junto com o irmão a banda Overdose e depois o Elétrika. “Fomos uma das primeiras bandas metal a ser criada. Em BH se você perguntasse quem era o roqueiro as pessoas com certeza iriam responder: o Thibau”, gaba-se.

Ele conheceu o rock em 74 e foram os primos que lhe apresentaram o ritmo quando voltaram do exterior. Mas foi após assistir ao show da banda Van Halen em São Paulo, que Thibau realmente passou a viver o rock. “Comecei a ficar viciado em comprar vinil, a estudar mais o estilo e assumi o cabelão”, lembra aos risos. O produtor conta que o rock and roll não era bem visto pelos pais de muitos jovens. “Existia muito preconceito, a família pirava com os filhos roqueiros”, disse.

Para Thibau a melhor época do rock já passou. “Atualmente não vejo bandas interessantes surgindo no Brasil”, dispara. É com ironia - diga-se de passagem, característica comum a quase todo roqueiro - que ele responde quando questionado sobre as novas bandas que aparecem. “O que faz sucesso hoje é o hardcore melódico como os Restart da vida. Daqui dois anos um cara que é fã dessa banda vai ter vergonha de reafirmar isso”, provoca.



Ruy Montenegro tinha apenas16 anos quando comprou sua primeira bateria. Depois disso nunca mais parou de se aventurar pelo mundo do rock. Já faz 20 anos que ele integra a banda cover do Creedence fazendo o que mais gosta: estar no palco. Técnico em química, hoje o baterista vive da música. Sua banda faz em média 60 apresentações durante todo o ano e roda o Brasil inteiro.

Para Ruy esse estilo não representa apenas um som legal, mas uma filosofia que nasceu para questionar o mundo. “O rock tem um poder cultural e social que é transformador. Na década de 70 foi responsável por importantes movimentos como o Punk, o Hippie e o movimento feminista”, ressalta. Ele afirma que as bandas mais antigas marcaram e continuam presentes no cenário musical porque os trabalhos se perpetuam pela competência que foi aplicada. “Essa é a chave do sucesso”, garante.

Além da irreverência e originalidade serem características que definem os três roqueiros, a qualidade do velho rock é outro ponto que os une. “As décadas de 60 e 70trouxeram todas as melodias presentes no rock que hoje tem seus arranjos copiados”, alfineta Plínio. Para eles o som atual já não tem o mesmo balanço de antigamente.

Os cinquentões sentem nostalgia apenas quando se trata do passado. “Sentimos muita saudade daquela época. Éramos inocentes e queríamos apenas curtir”, disse Thibau. Ele acrescenta que essa inocência se perdeu e com isso o olhar também mudou. “Hoje vejo a maldade, há anos atrás as bandas tinham um companheirismo, o movimento era mais unido e rolava amor”, relembra.

A boa música parece realmente não ter um tempo delimitado. Bastam bandas atuais regravarem antigos sucessos com novas roupagens para elas estourarem novamente. Estamos em pleno século XXI e as antigas melodias voltam às paradas de sucesso nas rádios, casas de show e boates por todo o país. “Suspicious Mind (Elvis Presley), Satisfaction I Can’t Get No (Rolling Stones) e If (grupo Bread)”, são alguns exemplos, dentre tantos outros. Com isso, os mais jovens passam a conhecer o famoso rock and roll e os mais experientes revivem momentos marcantes de um passado que agora parece mais próximo. Atualmente eles estão NO AUGE da vida e podem até estar envelhecendo… Mas como dizia Neil Young em uma de suas canções: "Hey hey, my my Rock and roll can never die… Ou se preferir em bom português: meu rock and roll pode nunca morrer.


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