sábado, 11 de junho de 2011

Vida longa ao esporte

Por Danilo Gomes



Palavras cruzadas, damas, xadrez, bocha, entre outros, são sempre associadas a passatempos de quem tem mais de 60 anos. Só que uma nova perspectiva está transformando a vida dessas pessoas. Cada vez mais, elas buscam algo que mexa, literalmente, com seu corpo e  mente.  Para isso estão encontrando no esporte um meio de não só se divertirem, mas também criar novas amizades e cuidar da saúde. A nova geração de pessoas que passaram dos 60 anos vem substituindo o cansaço pela disposição, o isolamento social por novas amizades, e a nostalgia por planos futuros.
             Marta Cândido da Silva, 61 anos. Ela começou a sua aventura na natação há nove anos. Como a maioria das pessoas de sua idade, começou a praticar esportes por motivos de saúde e, ao ser aconselhada por seu médico a praticar alguma atividade física, começou a nadar. O início foi muito difícil. Afinal, superar todas as dores que pessoas de sua faixa etária estão acostumadas a sentir não é lá uma tarefa simples. Com certeza já não possui aquele rigor físico de anos atrás. Entretanto, os esforços e a empolgação empregados durante os treinamentos são iguais ou maiores até do que aquela época.
A guerreira, como era chamada por aqueles que acompanhavam de perto sua dedicação, conseguiu superar todos os obstáculos até se tornar membro das equipes de natação das academias Mergulho e Águas Azuis, esta última onde treina atualmente. O medo que tinha de água no começo das aulas se transformou em medalhas. E não são poucas. Em cinco anos na equipe ela conquistou 12 medalhas. Também recebeu propostas para integrar outras equipes de natação como a do Atlético Mineiro. Marta não pretende parar tão cedo e coloca a saúde em primeiro lugar. “O esporte é muito bom. Apesar da minha idade, minha glicose e colesterol estão dentro dos parâmetros. Não sou uma pessoa obesa e isso tudo ajuda para a minha saúde”, diz ela,  revelando o segredo para se estar tão bem aos 61 anos.


O professor de Educação Física, Leonardo Elias de Oliveira Machado, 21 anos, ressalta os benefícios do esporte nessa faixa etária quanto a atividades cardiovasculares e resistência física, melhorando assim a qualidade de vida. Ele também alerta para os excessos, podendo ocorrer lesões da vários tipos com mais facilidade.

Marta com as medalhas que conquistou em seus anos como competidor

Pesquisa feita pela National Institute on Aging (NIH) em Bethesda, no estado de Maryland, Estados Unidos, mostra que um estilo de vida sedentário pode fazer com que os idosos tenham perdas em quatro áreas importantes para sua saúde e independência: força, equilíbrio, flexibilidade e resistência. Os  exercícios físicos, sugerem os pesquisadores ajudam os idosos a manter ou restaurar parcialmente essas quatro áreas.
Envelhecer não significa que a pessoa perca a habilidade de fazer tarefas diárias. Exercícios físicos ajudam os idosos a sentirem-se melhores e aproveitar mais a vida, incluindo aqueles que se acham muito velhos ou fora de forma. Melhorar a força e resistência torna mais fácil subir escadas e carregar coisas. A melhoria no equilíbrio ajuda a prevenir quedas. Ficar mais flexível pode acelerar a recuperação de lesões e, se fizerem dos exercícios físicos parte da sua rotina diária, eles terão impacto positivo nas sua qualidade de vida à medida que envelhece.
Esse é o caso do aposentado João Gomes, com 60 anos completados em janeiro. Ele mantém regularmente a corrida diária que começou há um ano. Após vários anos sem praticar um exercício físico sequer e com 20 quilos acima do peso ideal – há um ano pesava 120 kg -, João decidiu que era hora de deixar o sedentarismo de lado e cuidar da saúde e, principalmente, da forma.
E assim começou a sua saga. No início, de maneira tímida, com a caminhada, pois primeiro era preciso pegar um ritmo. Afinal de contas, ninguém se torna um Usain Bolt, (atleta jamaicano campeão de atletismo), de uma hora para outra. Com o aumento gradativo do percurso e da velocidade, João hoje consegue correr até 6 quilômetros  de uma vez, o que é muito para uma pessoa do seu porte físico. Hoje ele pesa 110 quilos. Tem como meta ficar abaixo dos 100 quilos e disputar a Volta Internacional da Pampulha.
João conta que está muito feliz com seu progresso e que isso só aconteceu por causa da família e das amizades que fez durante a prática do esporte. “Conheci muitas pessoas durante as corridas que a gente acaba treinando junto, é um esporte ajuda muito na interação social. Não estamos mortos e ainda temos muito a viver”, ressalta.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Prática de Esportes na melhor idade

 A prática regular de esportes retarda o envellhecimento e mantem a qualidade de vida na melhor idade.


 Por Evaldo Bruno e Mauro Filho


Já é sabido de longa data que o esporte é de fundamental importância para as pessoas de todas as idades. Ganhos em todos os setores da vida são percebidos. A longevidade está entre os benefícios mais desejados por quem faz alguma atividade física, retardando ou até eliminando os efeitos de doenças de grande parte das pessoas acima de 60 anos, fase da vida conhecida como terceira idade, ou melhor idade.



Segundo dados do IBGE, a população de pessoas de 60 anos ou mais cresceu 47,8% na última década, um crescimento bastante superior aos 21,6% da população brasileira total no mesmo período. Segundo a Síntese de Indicadores Sociais, esse aumento se deve, principalmente, à menor taxa de mortalidade em função dos avanços da medicina, dos meios de comunicação e também a maior qualidade de vida proporcionada pela prática de esportes.



Cada esporte exige mais ou menos do ponto de vista físico e de coordenação motora, além de casos específicos que interferem no desenvolvimento da atividade, quando o praticante tenha dificuldades de movimentação, por exemplo. “Alguns indivíduos podem correr e outros não, em função de problemas articulares (artrite, artrose), mecânicos (tipo de pisada ou posição dos joelhos, problemas de coluna, perda ou diminuição da visão e também diminuição do equilíbrio). Recomenda-se complementar a corrida com alongamentos, exercícios localizados e musculação.”, afirma o professor de Educação Física, Renato Dutra.



Fazer uma avaliação médica é importante, e a partir de 40 anos os exames devem ser feitos uma vez ao ano, para o controle de doenças hereditárias como as do coração, pressão arterial, além de problemas relacionados à velhice e sedentarismo como os problemas hormonais, achatamento dos discos epifisários da coluna, inflamações e osteoporose.



Depois de todos os exames feitos, a orientação de um profissional de Educação Física deve ser procurada, pois é ele quem transformará os dados dos exames em uma série adequada de exercícios para cada condição apresentada. Pesquisas realizadas pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, mostram que a condução nervosa declina apenas 10 a 15%, aos 80 anos, enquanto o débito cardíaco (volume de sangue por minuto) declina entre 20 a 30% e a capacidade respiratória máxima, aos 80 anos, é cerca de 40% menor, em comparação com indivíduos de 20 anos. Assim, os treinos e as exigências físicas não podem ser iguais para todos. "É preciso um programa adequado para que o corpo possa estar em atividade e obter resultado positivo para a saúde", afirma o professor.



A mesma pesquisa realizada pela Universidade americana durante 12 semanas, com homens sadios na faixa de 60 a 72 anos, obtiveram resultados animadores. Por exemplo, o aumento da força muscular, no exercício de flexão de joelhos,  foi de 107% e no exercício de extensão dos joelhos, o aumento foi de 227%. Este estudo comprova que um programa regular de exercícios resistidos pode aumentar a massa muscular em idosos.

Com o aprimoramento da força muscular, os idosos também ficam menos expostos a lesões e acidentes domésticos, sendo um grande incentivo ao envelhecimento saudável e  importante indicador de um aumento na qualidade de vida.

VELHO ROCK

Por Diego Santiago e Manuela Marques




Cinquentões provam que não existe idade para curtir boas músicas. O velho rock and roll é duradouro porque além de se desenvolver ao longo dos anos ainda se espalhou por outras gerações...

"I Can't Get No Satisfaction…". Quando escutamos o trecho dessa música dos Rolling Stones nos lembramos dos áureos anos 70. Afinal, esse período marcou o rock como um dos estilos musicais mais conhecidos no Brasil e no mundo, além de influenciar a vida, a moda, as atitudes e a linguagem da época. Mas se enganam as pessoas que acreditam que esse tempo ficou para trás. Aqueles que já estão na casa dos enta (40, 50, 60, 70, 80...) ainda curtem a adrenalina causada pelo som potente das bandas, dos solos de guitarra e é claro, a uma boa pitada de atitude.

Prova disso, é o Rock in Rio 2011, um dos maiores eventos de música e entretenimento do mundo que esse ano traz grandes astros maduros como os Guns n’ Roses, Mutantes e Erasmo Carlos. E essa lista não é encabeçada apenas por nomes famosos. Tio Plinio, 52, Thibau, 48, e Ruy, 52, (o último é constantemente confundido com o também roqueiro Lobão), são nomes conhecidos pela galera mineira que gosta de rock.
Eles curtem um som "feroz" e não se intimidam em carregar meio século de paixão pela música e nem têm medo de mostrar a cara e o estilo. Quando questionados sobre os ídolos do rock, os três respondem com nomes consagrados que fizeram sucesso nos anos 70 e 80: Bill Haley, Chuck Berry, Jerry Lee Lewis, Kiss, Motorhead, Deep Purple, Creedence, Rolling Stones, ufaaaaa! A lista é infinita.



Plínio Ribeiro Campos, mais conhecido como Tio Plínio no mundo musical, tem duas profissões: trabalha em uma empresa de cobrança e há duas décadas lidera a banda de rock Shadow of the Mountains (A Sombra das Montanhas). Ele é guitarrista e compositor, se apresenta duas vezes no mês, já tem cinco CDs gravados e mais de 500 músicas compostas.

O amor pelo rock vem de longa data. Tio Plínio tinha apenas oito anos quando começou a ouvir o som eletrizante. De lá para cá o ritmo passou a fazer parte da sua vida intensamente. “O rock faz uma higiene mental, sem contar que é uma deliciosa desculpa para encontrar os amigos e expor idéias. Quem sabe daqui a 1000 anos as pessoas entendam minhas letras”, disse Plínio de maneira descontraída.

OUTRO TEMPO



Cabelão? Rebeldia e roupas pretas? Esqueça esse estereótipo. Isso já fez parte da vida de Ricardo Munayer David (verdadeiro nome de Thibau), mas hoje as coisas são um pouco diferentes... Roqueiros costumam ouvir um tipo de música agitada e com o volume alto, mas ele escutava Pavarotti no dia da entrevista (ok, na verdade era o pai que ouvia, mas Thibau se diz eclético). Produtor musical e empresário nos anos 80, fundou junto com o irmão a banda Overdose e depois o Elétrika. “Fomos uma das primeiras bandas metal a ser criada. Em BH se você perguntasse quem era o roqueiro as pessoas com certeza iriam responder: o Thibau”, gaba-se.

Ele conheceu o rock em 74 e foram os primos que lhe apresentaram o ritmo quando voltaram do exterior. Mas foi após assistir ao show da banda Van Halen em São Paulo, que Thibau realmente passou a viver o rock. “Comecei a ficar viciado em comprar vinil, a estudar mais o estilo e assumi o cabelão”, lembra aos risos. O produtor conta que o rock and roll não era bem visto pelos pais de muitos jovens. “Existia muito preconceito, a família pirava com os filhos roqueiros”, disse.

Para Thibau a melhor época do rock já passou. “Atualmente não vejo bandas interessantes surgindo no Brasil”, dispara. É com ironia - diga-se de passagem, característica comum a quase todo roqueiro - que ele responde quando questionado sobre as novas bandas que aparecem. “O que faz sucesso hoje é o hardcore melódico como os Restart da vida. Daqui dois anos um cara que é fã dessa banda vai ter vergonha de reafirmar isso”, provoca.



Ruy Montenegro tinha apenas16 anos quando comprou sua primeira bateria. Depois disso nunca mais parou de se aventurar pelo mundo do rock. Já faz 20 anos que ele integra a banda cover do Creedence fazendo o que mais gosta: estar no palco. Técnico em química, hoje o baterista vive da música. Sua banda faz em média 60 apresentações durante todo o ano e roda o Brasil inteiro.

Para Ruy esse estilo não representa apenas um som legal, mas uma filosofia que nasceu para questionar o mundo. “O rock tem um poder cultural e social que é transformador. Na década de 70 foi responsável por importantes movimentos como o Punk, o Hippie e o movimento feminista”, ressalta. Ele afirma que as bandas mais antigas marcaram e continuam presentes no cenário musical porque os trabalhos se perpetuam pela competência que foi aplicada. “Essa é a chave do sucesso”, garante.

Além da irreverência e originalidade serem características que definem os três roqueiros, a qualidade do velho rock é outro ponto que os une. “As décadas de 60 e 70trouxeram todas as melodias presentes no rock que hoje tem seus arranjos copiados”, alfineta Plínio. Para eles o som atual já não tem o mesmo balanço de antigamente.

Os cinquentões sentem nostalgia apenas quando se trata do passado. “Sentimos muita saudade daquela época. Éramos inocentes e queríamos apenas curtir”, disse Thibau. Ele acrescenta que essa inocência se perdeu e com isso o olhar também mudou. “Hoje vejo a maldade, há anos atrás as bandas tinham um companheirismo, o movimento era mais unido e rolava amor”, relembra.

A boa música parece realmente não ter um tempo delimitado. Bastam bandas atuais regravarem antigos sucessos com novas roupagens para elas estourarem novamente. Estamos em pleno século XXI e as antigas melodias voltam às paradas de sucesso nas rádios, casas de show e boates por todo o país. “Suspicious Mind (Elvis Presley), Satisfaction I Can’t Get No (Rolling Stones) e If (grupo Bread)”, são alguns exemplos, dentre tantos outros. Com isso, os mais jovens passam a conhecer o famoso rock and roll e os mais experientes revivem momentos marcantes de um passado que agora parece mais próximo. Atualmente eles estão NO AUGE da vida e podem até estar envelhecendo… Mas como dizia Neil Young em uma de suas canções: "Hey hey, my my Rock and roll can never die… Ou se preferir em bom português: meu rock and roll pode nunca morrer.


terça-feira, 7 de junho de 2011

Três cinquentões do rock

Por Diego Santiago e Manuela Marques































Tio Plínio, Thibau e Ruy são fãs do velho rock. Para eles as décadas de 60 e 70 foram inesquecíveis, tanto que os três continuam curtindo bandas memoráveis daquele tempo! Músicas antigas que marcaram época ficarão para sempre na lista top 10 desses roqueiros.