sexta-feira, 3 de junho de 2011

Alzheimer

LEMBRAR DE NÃO ESQUECER

Por Andreza Cruz e Deysiane Marques

Apesar do som estrangeiro e da escrita complicada, a maioria das pessoas conhecem a palavra Alzheimer e sabem que o termo está ligado ao esquecimento. Muitos têm um avô, avó, ou conhecem alguém idoso que sofre do problema, mas será que isso só ocorre na terceira idade? E você? Não costuma esquecer coisas simples e corriqueiras, como por exemplo, que dia é hoje ou o nome de alguém próximo?

Alzheimer é uma doença, mas várias expressões são utilizadas para se referir a ela. Mal de Alzheimer foi o primeiro termo usado em 1906 pelo psiquiatra alemão Alois Alzheimer, que usou seu sobrenome para batizar a descoberta médica. Já a palavra distúrbio, frequentemente utilizada, serve para falar de tudo que não está funcionando muito bem. Quando se diz “distúrbio de memória”, não é especificamente o Alzheimer. Existem outros tipos de esquecimento, como os causados por muito cansaço e stress, geralmente momentâneos.


MUITAS CAUSAS E UMA CONSEQUÊNCIA

A Presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia de Minas Gerais, Cláudia Caciquinho Vieira de Souza, é médica há dez anos e geriatra hásete. Segundo ela, o Alzheimer é uma doença que causa muito pavor nas pessoas porque os sintomas são expressivos em dois aspectos: prejudicam a capacidade metal e tornam o doente dependente de outras pessoas.

Cláudia Caciquinho em seu consultório.

O que causa o desenvolvimento de Alzheimer ainda não foi descoberto, mas sabe-se que o fator genético deve ser levado em conta. “Quem tem histórico familiar, acaba tendo uma tendência maior a desenvolver essa doença. Mas não é uma coisa assim: meu pai teve, eu vou ter. Isso é só um fator a mais”, explica a Geriatra. Cláudia ainda contou que existem outros aspectos que pré-dispõem um quadro de Alzheimer, como alterações de glicose, pressão e colesterol, distúrbios psiquiátricos e depressão. Mas é importante ressaltar que essas características não são determinantes. Uma pessoa pode ter tudo isso e não desenvolver o mal.

As pessoas que acumulam diversas tarefas em seu dia a dia estão sempre exaustas. Esse cansaço extremo pode ser o início de uma série de ações prejudiciais para seu organismo. Veja como acontece:

A fadiga desencadeia o stress;

O stress gera uma redução da atenção;

A redução da atenção causa uma menor fixação de informações.

Além de ficar esquecido, o estressado tem mais facilidade de desenvolver depressão e ansiedade, e como conseqüência pode iniciar uma perda progressiva de lembranças e até uma doença emocional. Nesses casos é muito importante um diagnóstico médico para verificar se existe necessidade de tratamento.

Cláudia Caciquinho explicou que em de todas as idades pode-se ter distúrbios de memória, inclusive os adolescentes, que quase sempre são muito ansiosos. Já a doença de Alzheimer é mais comum em pessoas de idade bastante avançada, mas há casos de portadores com 40 anos. Até os 50, as pessoas são consideradas jovens para sofrer do mal, e nesses casos a doença é mais grave porque a morte das células cerebrais é mais rápida, fazendo com que os sintomas progridam em processo acelerado. Nos mais velhos, a evolução é mais lenta.

É POSSÍVEL PREVENIR

A boa notícia é que existe prevenção para os distúrbios de memória, inclusive para o Mal de Alzheimer. Quanto maior o nível de atividade mental, maior é a proteção contra depressão e envelhecimento frágil. A perda da memória é a morte precoce de células cerebrais, então quem estimula o funcionamento dos neurônios e suas ligações, está mais protegido contra o esquecimento porque mantêm maior número de células ativas.

Você já ouviu falar que só utilizamos cerca de 10% do nosso cérebro? De acordo com a médica especialista em geriatria, isso é verdade. “Se eu sou mais intelectualizado, se eu faço mais atividades mentais, se sou mais ativo, eu tenho mais células desenvolvidas e então eu funciono com mais de 10%. Quando as células começarem a morrer, no processo natural de envelhecimento, eu vou ter uma reserva maior de neurônios funcionando e as manifestações da velhice vão aparecer muito mais tarde. Se por outro lado eu não exercito meu cérebro, não estimulo essas conexões de neurônios, eu tenho menos de 10%. Tenho poucos funcionando e quando começarem a morrer, os sintomas vão aparecer logo”, reforça.

Outro fator importante para a prevenção é a prática de exercícios físicos porque eles melhoram a circulação e oxigenação do cérebro, estimula a vitalidade de todos os órgãos, além de trazer sensação de bem estar. Isso tudo gera a manutenção de capacidade ativa por mais tempo.

UM OMBRO AMIGO

Quando a suspeita de doença é confirmada, todas as perguntas vêm à tona. Os familiares começam a se questionar se saberão lidar com a situação. Cuidar de alguém com a memória comprometida não é uma tarefa simples. Nesses momentos, sentir-se desamparado é normal.

Por isso, além do acompanhamento médico constante para o doente, é necessária uma ajuda psicológica para toda a família. É o que a terapeuta familiar formada na Inglaterra, Judy Robbe faz há 25 anos. O seu grupo de apoio, Harmonia de Viver, tem como objetivo dar suporte ao cuidador da pessoa com distúrbio de memória, auxiliando filhos, irmãos e parentes em geral a aprender a arte da convivência diária e como se portar diante dos desafios que da doença como o estranhamento diante do espelho e a mudança de personalidade.

Judy já auxiliou centenas de famílias desde a criação do grupo em 1986. As seções são em formato de roda, onde cada um conta sua experiência e troca informações. O Harmonia de Viver não tem base religiosa, política e nem faz menção a medicamentos. As conversas giram apenas em torno do comportamento dos pacientes e sobre como contornar algumas situações.

Apesar das reuniões serem focadas nos familiares, Juddy Robbe contou que uma pessoa com Alzheimer participa ativamente das reuniões relatando o outro lado da história, auxiliando a compreensão de todos. A terapeuta também explicou que não existe tempo determinado de "tratamento" para cada familiar. As pessoas participam das rodas de conversas enquanto se sentem confortadas com as seções e não têm a obrigação de voltar. Não é um processo passo a passo. “Tem gente que vem uma vez e não volta mais porque percebe que o caso que ele lida é muito mais simples do que imaginava. Outros continuam até depois do falecimento do ente querido”, afirmou ela. Para obter mais informações entre no site www.harmoniadeviver.net.br .

A terapeuta familiar Judy Robbe.

AVANÇOS NA MEDICINA

Atualmente não existe cura para o mal de Alzheimer, apenas tratamentos que amenizam os sintomas, mas que não detêm o avanço. A Conferência Internacional sobre novas descobertas do cérebro, que aconteceu no dia primeiro de junho no Panamá, trouxe aos doentes e familiares uma dose de esperança. Segundo o cientista japonês Kiminobu Sugaya, dentro de cinco a seis anos haverá uma droga eficaz para o mal. Além de desenvolver o medicamento, os cientistas estão à procura do gene responsável pelo Alzheimer, para que seja diagnosticado e tratado precocemente.

SIMPLES E ÚTIL

Se os dias acelerados do século XXI têm deixado muita gente estressada o jeito é ficar ligado nas falhas de memória e procurar um médico a qualquer sinal mais grave, independente da idade. Outra coisa importante é por a mente para funcionar sempre. Alguns exercícios simples podem te ajudar a estimular o funcionamento do seu cérebro. Combine com familiares e amigos de fazerem perguntas inesperadas entre si de vez em quando. “Que dia é hoje?” e “qual o meu nome?”, são algumas sugestões. As respostas sempre devem ser dadas o mais rápido possível.

Outra boa alternativa é usar lápis e papel. Desenhe um círculo e dentro dele enumere de um a cinco, próximo às bordas, de maneira ágil. Depois tente fazer o mesmo, mas anotando os números de forma regressiva. Essa prática incentiva as habilidades lógicas. Caso a enumeração saia de maneira confusa e incorreta, repita o teste. Se os erros persistirem por várias vezes, procure um especialista para fazer avaliação clínica. Se você cumprir seu teste com êxito, excelente! Guarde-o e vá praticar um esporte, ou quem sabe fazer algumas contas, que tal escrever um poema? Jogos de tabuleiro? Passear com o cachorro, ler o jornal, dançar, fazer um curso línguas, artes marciais... UFA! São muitas as opções. O que não vale é esquecer de se prevenir.


Alzheimer na ficção: A doença é retratada por alguns atores nacionais e internacionais que tentam mostrar um pouco da realidade da patologia.

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